Brazil Greece

»

»

A série “proibida” da Netflix que revive os últimos dias dos czares

| Em 24/08/2025 às 12:35
O Último dos Czares. Imagem: Netflix.

A Netflix costuma surpreender ao esconder produções históricas em meio a seu extenso catálogo. Entre elas, uma minissérie lançada em 2019 segue chamando atenção por misturar rigor documental, drama encenado e conteúdo adulto que lhe rendeu a fama de “uma das séries mais proibidas” da plataforma. Trata-se de “Os Últimos Czares”, uma produção britânica em seis episódios que revisita a queda da família Romanov, no início do século XX, e o fim de uma das monarquias mais tradicionais do mundo.

Uma história de poder e resistência à mudança

A narrativa acompanha o reinado de Nicolau II, o último czar da Rússia. Retratado como um líder resistente às transformações, Nicolau acreditava que a autoridade imperial deveria permanecer intacta, mesmo diante das pressões sociais e econômicas que cresciam em seu país. A recusa em modernizar a política e atender às demandas populares acabou alimentando crises internas que desembocaram em revoltas, greves e, por fim, na Revolução Russa.

Ao lado dele estava a czarina Alexandra, marcada pela forte religiosidade e pelo envolvimento com figuras que se tornaram alvo de desconfiança da elite e do povo. Entre esses personagens estava o monge místico Rasputin, cuja influência dentro do palácio foi determinante para abalar ainda mais a imagem da monarquia.

Entre o documentário e a ficção

O diferencial de “Os Últimos Czares” está na forma como a história é contada. A minissérie combina depoimentos de historiadores e especialistas com cenas dramatizadas, recurso que cria uma experiência híbrida. Para o espectador, é como assistir a um documentário enriquecido com interpretações que dão vida aos personagens centrais do período. Essa escolha estética ajuda a compreender os fatos históricos sem que o ritmo da narrativa se torne excessivamente acadêmico.

A série também não evita os aspectos mais sombrios da corte. Intrigas palacianas, traições, corrupção e exageros da família imperial aparecem em paralelo às dificuldades enfrentadas pela população russa, cada vez mais insatisfeita com a desigualdade e a fome. Essa justaposição de mundos — o luxo da corte e a miséria popular, reforça o abismo que acelerou a queda dos Romanov.

Leia mais: O que um contrato grego de 2.200 anos pode ensinar sobre aluguel hoje?

Conteúdo adulto e classificação etária

Um dos pontos que mais gerou repercussão em torno da produção foi a maneira direta com que ela mostra sexo, violência e paixões intensas. Por isso, a minissérie recebeu indicação etária para maiores de 16 anos e ficou conhecida como uma das mais restritas do catálogo da Netflix. Essa abordagem não busca apenas chocar, mas retratar sem suavizações a atmosfera de tensão, excessos e brutalidade que marcou os últimos anos do império.

Rasputin, um caso de mito e de influência

Entre os personagens que mais se destacam está Grigori Rasputin, um camponês convertido em místico que conquistou a confiança da czarina Alexandra. Acreditava-se que ele tinha poderes de cura, especialmente após episódios em que ajudou o herdeiro do trono, Alexei, que sofria de hemofilia. O carisma enigmático de Rasputin lhe garantiu acesso privilegiado ao palácio, mas também o transformou em alvo de rumores e conspirações. Sua presença simboliza o quanto a instabilidade política da Rússia se misturava a crenças religiosas e superstições.

O destino dos Romanov

A produção também aborda o fim trágico da família imperial. Presos após a Revolução de 1917, Nicolau II, Alexandra e seus filhos, incluindo a jovem Anastásia, que inspiraria diversas lendas, foram executados em 1918. O episódio marcou não apenas o fim de uma dinastia que governava a Rússia havia séculos, mas também a ascensão de um novo regime que transformaria a política mundial nas décadas seguintes.

Leia mais: Pitágoras lutou na Guerra de Troia? A surpreendente lenda do filósofo grego

Um ritmo curto e objetivo

Com apenas seis episódios de menos de 50 minutos cada, “Os Últimos Czares” foge do padrão de longas séries de época. A curta duração torna a experiência acessível mesmo para quem não está acostumado a acompanhar produções históricas extensas. Em cerca de seis horas é possível percorrer a ascensão, o desgaste e o colapso da última família imperial russa.

Desde a estreia, a série dividiu opiniões. Alguns críticos apontaram que a mistura entre documentário e dramatização poderia confundir o público, enquanto outros destacaram que justamente essa combinação tornou os acontecimentos mais claros para quem não tinha familiaridade com a história russa. O certo é que a produção gerou curiosidade e reacendeu debates sobre a queda dos Romanov, tema que segue despertando interesse mais de um século depois.

Para quem busca compreender melhor os fatores que levaram a Rússia de uma monarquia absolutista a um regime comunista, “Os Últimos Czares” funciona como uma introdução eficiente. Mais do que narrar fatos, a minissérie expõe as tensões sociais e políticas que culminaram em um dos episódios mais marcantes do século XX. Além disso, ao incluir elementos de bastidores, paixões e disputas internas, oferece um retrato que vai além da versão oficial dos livros de história.

  • Konstantinos P.

    Grego, morou na Grécia por quase toda a sua vida e em Londres por 3 anos. Trabalhou como Bar Manager, Bartender e Barista em Londres e na Grécia. Além de ter trabalhado nas melhores cozinhas e bares de Londres e da Grécia. Participou de renomados cursos na área e compartilhou o seu conhecimento com seus alunos pela Europa. Por ser apaixonado pelo seu país, encontrou por meio da escrita uma forma de compartilhar com os brasileiros o seu conhecimento sobre viagens, história, cultura, mitologia grega e culinária geral, trazendo o melhor da Grécia para vocês.

RECENTES

5 estratégias CONFIÁVEIS para ter uma renda extra todo mês

5 estratégias CONFIÁVEIS para ter uma renda extra todo mês

Buscar uma renda extra deixou de ser apenas uma opção e passou a ser uma necessidade para muitas pessoas. Com o aumento do custo de vida, imprevistos financeiros e o desejo de ter mais estabilidade, complementar o orçamento mensal se tornou essencial. A boa notícia é...

3 signos que estão prestes a encontrar a sua alma gêmea

3 signos que estão prestes a encontrar a sua alma gêmea

Encontrar a alma gêmea é um dos desejos mais comuns quando o assunto é amor. A busca por alguém que compreenda nossas emoções, compartilhe valores e caminhe ao nosso lado continua sendo um tema recorrente em conversas, livros e, claro, na astrologia. Segundo o...

Aeroporto fornece PlayStation para você jogar enquanto espera seu voo

Aeroporto fornece PlayStation para você jogar enquanto espera seu voo

Você sabia que existe um aeroporto em Paris que possui consoles de PlayStation e outros jogos eletrônicos que você pode jogar durante a sua espera? Não há dúvida de que Paris é um dos lugares mais visitados do mundo. E o que um lugar com muitos turistas precisa?...

Grego descobriu cidade da Bahia que parece ilha da Grécia

Grego descobriu cidade da Bahia que parece ilha da Grécia

No interior da Bahia, descobrimos uma cidade de 50.000 habitantes que tem muitos elementos comuns da Grécia. Estamos falando sobre o município de Macaúbas que está situado na região central do estado da Bahia, na chamada Zona Fisiográfica da Serra Geral, Chapada...

Praia do Taípe, o que você precisa saber antes de ir?

Praia do Taípe, o que você precisa saber antes de ir?

Se você está em busca daquela Bahia autêntica, onde o som das ondas e o vento nas falésias substituem o barulho das caixas de som, a Praia do Taípe é o seu lugar. Localizada estrategicamente entre o agito de Arraial d'Ajuda e o charme de Trancoso, ela é considerada...

Oslo, tudo que deveria fazer e aprender com os noruegueses, europeu diz

Oslo, tudo que deveria fazer e aprender com os noruegueses, europeu diz

Em janeiro visitamos a capital da Noruega, Oslo. Nossas impressões foram completamente diferentes do que esperávamos. Não há como negar, depois da experiência que adquirimos em viagens, eu diria que a maioria das grandes cidades do mundo tem muitos aspectos negativos...

0 comentários